Skip to main content

Safra recorde muda régua do crédito agro em 2026

Conab projeta 358 milhões de toneladas na safra 2025/26, com avanço de soja, milho e sorgo. Para o banker, o volume recorde melhora a leitura de oferta, mas aumenta a exigência sobre logística, armazenagem, hedge, fluxo de caixa e risco de preço.


A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa da safra brasileira de grãos 2025/26 para 358 milhões de toneladas, segundo o 8º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado em 14 de maio de 2026. O volume representa alta de 1,6% ante a safra 2024/25 e incremento de 5,7 milhões de toneladas. A leitura para o banker não é apenas de supersafra, mas de maior necessidade de crédito bem estruturado, proteção de margem e capacidade logística.


A nova estimativa confirma uma safra recorde em um ciclo no qual a área cultivada foi projetada em 83,5 milhões de hectares, alta de 2,2% sobre a temporada anterior. A produtividade média nacional estimada caiu 0,6%, para 4.286 quilos por hectare, o que mostra que o ganho de produção vem de combinação entre expansão de área e desempenho específico de culturas, não de uma melhora homogênea de produtividade.

A soja segue como principal vetor. A Conab projetou 180,1 milhões de toneladas para a oleaginosa, alta de 5,0% ante 2024/25, com 98,3% da área já colhida no momento da divulgação. No milho, a produção total foi estimada em 140,2 milhões de toneladas, segunda maior da série histórica, com avanço da primeira safra e queda esperada na segunda. O sorgo também ganhou relevância, com produção estimada em 7,6 milhões de toneladas, alta de 23,8%, associada à expansão de área e à adaptação a janelas de cultivo tardias. 

O lado menos favorável aparece em arroz, feijão, trigo e algodão. A Conab estima queda de 13,1% na produção de arroz, para 11,1 milhões de toneladas; recuo de 5,2% no feijão, para 2,9 milhões de toneladas; redução de 18,9% no trigo, para 6,4 milhões de toneladas; e queda de 2,6% no algodão em pluma, para 4,0 milhões de toneladas. A própria Conab informou que, apesar da retração em arroz e feijão, não há risco de desabastecimento desses grãos no mercado interno.

  • Safra total: 358 milhões de toneladas em 2025/26, estimativa de maio de 2026, alta de 1,6% ante 2024/25. 

  • Área cultivada: 83,5 milhões de hectares em 2025/26, estimativa de maio de 2026, avanço de 2,2% frente à safra anterior.

  • Soja: 180,1 milhões de toneladas em 2025/26, estimativa de maio de 2026, alta de 5,0% em relação ao ciclo 2024/25.

  • Milho total: 140,2 milhões de toneladas em 2025/26, com 28,5 milhões na primeira safra e 108,5 milhões na segunda safra. Sorgo: 7,6 milhões de toneladas em 2025/26, crescimento de 23,8% ante a safra anterior. 

  • Milho, mercado: consumo interno estimado em 94,86 milhões de toneladas, exportações em 46,5 milhões e estoque de passagem de 12,98 milhões ao fim da safra atual. 

  • Soja, mercado externo: exportações estimadas em 116 milhões de toneladas, crescimento de 7,25% ante 2024/25. 

  • Plano Safra 2025/26: R$ 516,2 bilhões destinados à agricultura empresarial, dos quais R$ 414,7 bilhões para custeio e comercialização e R$ 101,5 bilhões para investimentos. 


Para o banker, safra recorde não reduz automaticamente risco de crédito. Em um ciclo de maior produção, a pressão migra para armazenagem, frete, basis regional, capacidade de escoamento, travas de preço, seguro rural e qualidade da comercialização. O produtor pode colher mais e ainda assim deteriorar margem se vender em momento ruim, carregar estoque sem caixa ou financiar custeio com descasamento de prazo.

A leitura IBV é que o atendimento agro em 2026 exige maturidade técnica superior. A conversa precisa sair do volume colhido e entrar em orçamento de safra, barter, CPR, hedge, trava cambial, seguro, garantia real, fluxo pós-colheita e risco climático residual. Para cooperativas, cerealistas, revendas, tradings e produtores de maior porte, o banker deve cruzar produção física com liquidez, preço, armazenamento e capacidade de rolagem.


O acompanhamento deve se concentrar nos próximos levantamentos mensais da Conab, na evolução da colheita da segunda safra de milho, no comportamento das exportações de soja e milho e na execução do Plano Safra 2025/26. O ponto crítico para o crédito rural será verificar se o recorde projetado em 14 de maio de 2026 se converterá em margem, liquidez e adimplência, ou apenas em maior necessidade de capital de giro no pós-colheita.

Fontes oficiais consultadas

  • Companhia Nacional de Abastecimento. 8º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26. 14/05/2026.

  • Companhia Nacional de Abastecimento. Safra brasileira de grãos pode alcançar recorde e chegar a 358 milhões de toneladas. 14/05/2026.

  • Ministério da Agricultura e Pecuária. Plano Safra 2025/2026, agricultura empresarial. Consulta em 14/05/2026.

Redação IBV. Instituto Bancário de Valor.
Somos o presente, formamos o futuro.
posibv.com.br

 |  Vitoria Freire  |  Agronegócio

Conab projeta 358 milhões de toneladas na safra 2025/26, com avanço de soja, milho e sorgo. Para o banker, o volume recorde melhora a leitura de oferta, mas aumenta a exigência sobre logística, armazenagem, hedge, fluxo de caixa e risco de preço.


A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa da safra brasileira de grãos 2025/26 para 358 milhões de toneladas, segundo o 8º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado em 14 de maio de 2026. O volume representa alta de 1,6% ante a safra 2024/25 e incremento de 5,7 milhões de toneladas. A leitura para o banker não é apenas de supersafra, mas de maior necessidade de crédito bem estruturado, proteção de margem e capacidade logística.


A nova estimativa confirma uma safra recorde em um ciclo no qual a área cultivada foi projetada em 83,5 milhões de hectares, alta de 2,2% sobre a temporada anterior. A produtividade média nacional estimada caiu 0,6%, para 4.286 quilos por hectare, o que mostra que o ganho de produção vem de combinação entre expansão de área e desempenho específico de culturas, não de uma melhora homogênea de produtividade.

A soja segue como principal vetor. A Conab projetou 180,1 milhões de toneladas para a oleaginosa, alta de 5,0% ante 2024/25, com 98,3% da área já colhida no momento da divulgação. No milho, a produção total foi estimada em 140,2 milhões de toneladas, segunda maior da série histórica, com avanço da primeira safra e queda esperada na segunda. O sorgo também ganhou relevância, com produção estimada em 7,6 milhões de toneladas, alta de 23,8%, associada à expansão de área e à adaptação a janelas de cultivo tardias. 

O lado menos favorável aparece em arroz, feijão, trigo e algodão. A Conab estima queda de 13,1% na produção de arroz, para 11,1 milhões de toneladas; recuo de 5,2% no feijão, para 2,9 milhões de toneladas; redução de 18,9% no trigo, para 6,4 milhões de toneladas; e queda de 2,6% no algodão em pluma, para 4,0 milhões de toneladas. A própria Conab informou que, apesar da retração em arroz e feijão, não há risco de desabastecimento desses grãos no mercado interno.

  • Safra total: 358 milhões de toneladas em 2025/26, estimativa de maio de 2026, alta de 1,6% ante 2024/25. 

  • Área cultivada: 83,5 milhões de hectares em 2025/26, estimativa de maio de 2026, avanço de 2,2% frente à safra anterior.

  • Soja: 180,1 milhões de toneladas em 2025/26, estimativa de maio de 2026, alta de 5,0% em relação ao ciclo 2024/25.

  • Milho total: 140,2 milhões de toneladas em 2025/26, com 28,5 milhões na primeira safra e 108,5 milhões na segunda safra. Sorgo: 7,6 milhões de toneladas em 2025/26, crescimento de 23,8% ante a safra anterior. 

  • Milho, mercado: consumo interno estimado em 94,86 milhões de toneladas, exportações em 46,5 milhões e estoque de passagem de 12,98 milhões ao fim da safra atual. 

  • Soja, mercado externo: exportações estimadas em 116 milhões de toneladas, crescimento de 7,25% ante 2024/25. 

  • Plano Safra 2025/26: R$ 516,2 bilhões destinados à agricultura empresarial, dos quais R$ 414,7 bilhões para custeio e comercialização e R$ 101,5 bilhões para investimentos. 


Para o banker, safra recorde não reduz automaticamente risco de crédito. Em um ciclo de maior produção, a pressão migra para armazenagem, frete, basis regional, capacidade de escoamento, travas de preço, seguro rural e qualidade da comercialização. O produtor pode colher mais e ainda assim deteriorar margem se vender em momento ruim, carregar estoque sem caixa ou financiar custeio com descasamento de prazo.

A leitura IBV é que o atendimento agro em 2026 exige maturidade técnica superior. A conversa precisa sair do volume colhido e entrar em orçamento de safra, barter, CPR, hedge, trava cambial, seguro, garantia real, fluxo pós-colheita e risco climático residual. Para cooperativas, cerealistas, revendas, tradings e produtores de maior porte, o banker deve cruzar produção física com liquidez, preço, armazenamento e capacidade de rolagem.


O acompanhamento deve se concentrar nos próximos levantamentos mensais da Conab, na evolução da colheita da segunda safra de milho, no comportamento das exportações de soja e milho e na execução do Plano Safra 2025/26. O ponto crítico para o crédito rural será verificar se o recorde projetado em 14 de maio de 2026 se converterá em margem, liquidez e adimplência, ou apenas em maior necessidade de capital de giro no pós-colheita.

Fontes oficiais consultadas

  • Companhia Nacional de Abastecimento. 8º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26. 14/05/2026.

  • Companhia Nacional de Abastecimento. Safra brasileira de grãos pode alcançar recorde e chegar a 358 milhões de toneladas. 14/05/2026.

  • Ministério da Agricultura e Pecuária. Plano Safra 2025/2026, agricultura empresarial. Consulta em 14/05/2026.

Redação IBV. Instituto Bancário de Valor.
Somos o presente, formamos o futuro.
posibv.com.br